Certo dia, ainda pequeno, Krishna brincava com outras crianças nos arredores de Vraja. Entre risos e brincadeiras, alguns meninos correram até sua mãe, Yashoda, dizendo que ele havia comido terra.
Yashoda, acostumada às peripécias do filho, aproximou-se com firmeza e cuidado e perguntou se aquilo era verdade. Krishna, com aquela simplicidade ingênua da criança que acha que a mãe não sabe as ler, negou. Mas, diante da insistência dos outros, ela pediu:
– Abra a boca.
Sem hesitar, ele obedeceu.
Então, ao olhar para dentro, Yashoda não viu terra, viu algo que foi difícil compreender. Ali estavam o céu e as estrelas, o movimento dos ventos, os rios correndo, as montanhas imóveis. Viu o sol, a lua, e a vastidão do espaço. Viu todos os seres, em seus incontáveis caminhos. E, entre tudo isso, viu também a si mesma de pé, inclinada, olhando para a boca de seu filho.
Por um instante, o mundo pareceu se dissolver e se misturar. O pequeno e o infinito já não pareciam diferentes. Yashoda foi tomada por um silêncio profundo, como se estivesse diante de algo que não podia ser nomeado.
Mas então, suavemente, essa visão se dissipou.
Seus pensamentos retornaram ao lugar de sempre, e o coração retomou seu ritmo simples e humano. Diante dela, estava apenas seu filho, o mesmo menino de todos os dias.
Ela o tomou nos braços, talvez ainda com um leve eco de espanto, mas envolta no afeto que tudo torna próximo. Krishna permaneceu tranquilo, como se nada tivesse acontecido, deixando-se acolher.
E assim, o infinito voltou a se esconder no mais íntimo, guardado no olhar de uma mãe que cuida e ama, sem muito mais a pensar.
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Essa é uma história recontada das histórias clássicas indianas. Fiz uma adaptação simplificada para atingir a todos os públicos.
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